Às minhas amigas, eu ofereço sempre o meu ombro para elas chorarem as suas perdas, os meus conselhos que nem sei se servem de algo, a minha paciência (que apesar de serem amigas, também dão cabo dela), a minha amizade. Para quê ficar assim? Não adianta. Essa relação já estava a falhar há imenso tempo. Traições, demasiadas mentiras, ciúmes exagerados, falta de cumplicidade. Amiga, assim, dessa maneira, não há história de amor que resista! E elas choravam. E eu consolava. Não chores, ele não merece. Tens que aceitar que acabou. Eu dizia aquelas frases que já toda a gente conhece. Elas sofriam por algum tempo e depois, ficavam ótimas. Mas eu não sou assim. Eu não aceito. E não aceitando, sofro para toda a vida. E depois de outra relação, ainda sofro por causa da outra e da outra e da outra. Agora eu pergunto-me: quando será que eu vou conseguir oferecer um ombro amigo a mim própria e aceitar, friamente, que as minhas relações também acabam?
Eu não sei. Acho que, para mim, as minhas relações nunca vão terminar. Eu sempre me vou lembrar de um “nós”, esquecendo que virou um eu-e-tu. Eu sempre vou recordar o primeiro beijo, o terceiro, o quarto, o quinto, mas sempre vou esquecer o último, para não achar que terminou. E é por isso. É por isso que eu acho que as minhas relações não acabam nunca. Falha-me a memória, e então, se na minha memória, não está presente um último beijo, não houve despedida. Apenas demos um tempo. E eles sabem, eu espero. Sempre esperei. Mas a verdade cruel, é que sempre que me lembro de todos os “nós” que já vivi, esquecendo o eu-e-tu que se tornaram, eu esqueço, também, que não foi um tempo, foi o fim.
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